Amores de Verão - Parte II

Notícia do Saúde Semanário, por Dr. José Pacheco, Sexólogo.
Calor, praia, corpos morenos e despidos. Desde há muito o Verão é considerado a estação dos amores. Será o sol um Cupido?
A ideia de que o Verão nos desperta os instintos sexuais, mais hibernados no Inverno, perde-se na noite dos tempos. Possivelmente, o velho princípio da semelhança deve ter tido algum papel nesta equação. E, efectivamente, o aumento da temperatura está tão presente no Verão como na excitação sexual.
Na linguagem metafórica, as pessoas quentes são julgadas como mais sensuais, eróticas e sexualmente estimulantes. Pelo contrário, as frias não estão bem cotadas sexualmente e antigamente usava-se o termo frigidez para classificar as mulheres que não se excitavam sexualmente.
Para complementar esta ideia, há umas décadas atrás, as pessoas chamavam “aquecimento” ao período que antecedia a penetração. Mas há aqui um fundo de verdade, porque seguramente uma interacção sexual resulta muito melhor quando a temperatura é agradável do que quando é preciso fazer ginástica com os lençóis porque «cá fora» está um frio de rachar. Felizmente, que por cá a maioria das casas funciona como se vivêssemos numa eterna Primavera.
Disponíveis para amar
É claro que há outros factores que ajudam. Os amores juvenis de Verão, dos filmes e das férias, não acontecem só pelo Verão em si, mas também porque as pessoas estão mais disponíveis. Os mais velhos, na maioria dos casos, têm férias no Verão e, estando mais disponíveis, a libido emerge com muito mais facilidade do que quando têm as suas mentes ocupadas com mil e uma preocupações do dia-a-dia.
Nos tempos antigos, nas sociedades agrícolas, a Primavera e o Verão também eram consideradas as estações do amores, independentemente do final das colheitas acabar numa orgia colectiva ou em qualquer jogo social que permitisse constituir novos casais. É impossível dar os exemplos em todo o mundo mas, porque estamos em Maio, sublinha-se o exemplo da Alemanha onde, antigamente, o 1º de Maio, muito antes de ser o dia do trabalhador, era uma festa onde não faltavam as orgias sexuais.
Despidos...de roupa e preconceitos
Outro aspecto a não menosprezar é o facto de, no Verão, os corpos andarem muito mais expostos e, para muitas pessoas, talvez mais nos homens, a visão das dermes nuas ou semi-nuas despertar a libido. Já assim era na Roma Antiga, onde os banhos públicos eram o lugar de todos os encontros e onde os frequentadores tinham que despir-se completamente, de roupa e de preconceitos.
Mais humor, mais amor
Para além disso, o astro-rei pode dar um pequeno contributo para as pessoas se sentirem mais propensas para interagir sexualmente. Umas vezes porque para muitas pessoas um corpo bronzeado é muito mais apelativo e belo. Estamos longe dos tempos em que alvos tornozelos e veias azuladas a deambular num peito de fina brancura deixavam os homens a palpitar de desejo.
Por outro lado, de há muito se sabe que o período estival tem um efeito benéfico no nosso estado de humor – as pessoas realmente sentem-se menos deprimidas – e isso também ajuda a que o desejo sexual aflore muito mais facilmente.

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