O bluff de FilipaP

Estava eu muito bem na barriga da minha mãe, ia já no nono mês de gestação, fazendo o meu croll, bruços, mariposa e cambalhotas! Ah, aquilo é que era vida! Não fazia nenhum, não tinha de me preocupar com nada, até comer era pelo cordão.
Nisto ouço a minha mãe a falar com o obstreta, e ele dizia:

- “Oh minha senhora, já está quase a tempo de ela nascer. Se não sair até para a semana que vem, teremos de provocar o parto!”
Fiquei escandalizada, como seria de esperar! Eu ali em qual hotel de 5 estrelas e a quererem expulsar-me. Claro que me revoltei…aproveitei que ainda estavam a ver-me no ultra-som e ameacei:

- Ou me deixam continuar aqui ou suicido-me! – agarrando no cordão umbilical e enrolando-o ao pescoço.
Mas, pelos vistos, o obstetra não levou a sério a minha ameaça. Passada uma semana, estava na minha usual sesta, quando de repente acordo sobressaltada com a minha mãe aos berros, a chamar o meu pai de diversos nomes estranhos.
Fiquei completamente possessa! Como é que eles têm coragem de me acordar desta maneira!!! Como forma de protesto, comecei aos pontapés e gritei o mais alto que pude:
- Oh gorda! Vê lá se te calas, há quem queira dormir!
Após esta cena fez-se silêncio, e eu pensei para comigo que tudo tinha voltado à normalidade, mas eis que vejo algo a tentar agarrar o meu querido pezinho. Não me restou mais nada senão enrolar o cordão umbilical ao pescoço e gritar:

- Daqui não saio, daqui ninguém me tira, nem com Antrax!
Mas, os malvados tinham um plano B, largaram-me e nisto aparece algo redondo, rosado, com aroma a morango e baunilha, ao qual eu não consegui resistir. Soltei-me e comecei esbracejar em direcção ao meu objecto de desejo, abocanhando-o com toda a ferocidade e exclamei:
- Oh, que prazer memorável!
O que eu não estava à espera é que tudo não passava de um truque! Eu estava arpeada como um peixinho indefeso no aquário, e fui arrastada da minha caverna de Alibábá para este mundo repleto de mostrengos disformes e pestilentos, que certamente não têm espelhos em casa.
Terei agora de cumprir a pena do meu crime doce e saboroso, como ova de peixe que se transforma em caviar!

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