O Português e o fado
Somos de facto um povinho deprimente, dizemos mal de tudo e todos mas na hora de agir não fazemos nada, já dizia o Variações “É p’ra amanhã o que se pode fazer hoje e amanhã ainda voltas a adiar...”, é só queixas, porque dói o dente, porque o patrão é injusto, porque o Estado é um chulo blábláblá, tudo é razão para drama, até a boa saúde!
E haverá coisinha mais deprimente que morrer em Portugal? O cinismo chega ao cúmulo de se contratar pessoas para chorar, vestirem-se de preto até morrerem embora isso não iniba de ofender o defunto por actos ou pensamentos, quando não palavras.
São as ratas de sacristia que batem com a mão no peito porque são pessoas de bem, cristãs de verdade, quando mesmo em chão sagrado comentem atrocidades e todos os fanatismos das várias religiões que apelam à hipocrisia.
É a falta de civismo dos que levam os cãezinhos a cagar onde todos passam, que cospem para o chão as pastilhas, que escarram para o passeio, que dizem palavrões e piropos a torto e a direito, que gostam de passar nas poças de água para molhar o desgraçado que está à beira da estrada, que defecam no mar e depois fica o belo presente a boiar, o belo do Tio que gosta de passear a sua lancha ou mota de água junto dos banhistas... para não falar naquelas coisas mais giras ainda como descargas poluentes em rios ou mar...
A lista de coisas impensáveis é interminável.
Por tudo isto e muito mais, é mesmo para dizer, “tudo isto é triste, tudo isto é fado”.

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